Sabores da Amazônia em Porto Alegre

PORTO ALEGRE

O chef Adalberto Vieira esteve em Porto Alegre para trazer a cozinha amazonense à mesa dos gaúchos. Fui convidada pelos Destemperados a provar os pratos, finamente servidos no Hotel Laghetto Viverone, no Moinhos de Vento.

Já na chegada fomos recebidos com uma mesa bem-posta, cheia de talheres, que eu mal sabia utilizar. Micos à parte, o cardápio me deixou animada! Trouxeram um caldinho, que eu suponho fosse a “mojica de peixe”. Depois, o ceviche de Tucunaré, camarão, gengibre, chicória, pimenta, azeite e “nuvem” de limão. Muito saboroso, com o gosto um pouco mais acentuado do que o ceviche de peixe branco ou salmão.

ceviche_tucunare

Em seguida, o meu favorito da noite: Tambaqui com Jambú e Tucupi, farofa tostada de Uarini e vento de caril. Sim, eu sei! Para nós gaúchos isso parece grego. Vamos lá: o Tambaqui é um peixe do rio Amazonas. Jambu é uma erva típica do Norte, similar a uma rúcula, e Tucupi é esse caldo amarelo, que é retirado de um tipo de mandioca. O Uarini é essa farinha, que também é feito de mandioca. Por fim, o vento de caril traduz-se: espuma de curry, um condimento indiano. Viu só? Não é tão complexo assim. Falando do que interessa, o sabor desse peixe é fenomenal! Parece muito com porco! Crocante por fora e tenro por dentro, muito bom.

tambaqui

Mas seguimos, porque ainda tínhamos dois pratos para provar, e mais a sobremesa! O próximo era a estrela da noite, apesar de eu preferir o anterior. O pirarucu é um peixe muito importante para os amazonenses. O Chef Adalberto trouxe os dele diretamente de Manaus para cozinhar com carinho para os felizardos desta noite.

Ele contou que o pirarucu é um peixe que pode chegar até quase 200kg e que tudo é aproveitado, além da carne. Do couro se produz bolsas, e até a língua do bicho é usada como lixa! Quando o jantar se torna um aprendizado e uma troca de culturas, isso significa que desfrutamos de uma experiência completa.

pirarucu

Voltemos ao prato: o pirarucu foi servido com abóbora, aspargo fresco, beterraba, pupunha e espuma de cebolete. A sacada era misturar o peixe com o purê de abóbora, que dava um sabor adocicado e muito bom. Em seguida, o filé mignon (mais recorrente na vida dos gaúchos) acompanhado de cará e molho de açaí fez um belo fechamento dos pratos principais.

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A sobremesa ficou por conta do sorvete de cupuaçu com açaí, que estava uma delícia. Comi até a florzinha! No prato não fica nada, a não ser aquele um milhão de talheres, que eu baguncei, mas acabei por usar todinhos. Te orgulha de mim, mãe.

gelado_cupuacu

A pança cheia dá espaço às divagações na mesa. Tantas vezes, acabamos por dar prioridade para conhecer outros países, e deixamos de conhecer a nossa terra. O Amazonas é longe, mas faz parte do Brasil e tem uma cultura tão rica, que com certeza seria uma viagem sem igual! Precisamos pensar que a Amazônia é o pulmão do nosso planeta, e que se não valorizarmos esse lugar, sabe-se lá onde a humanidade vai parar.

By   -   nov 18, 2016   -   0 Comment
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